Carta Superior Geral Pe. Lorenzo [Julho:2010] PDF Imprimir E-mail

Caríssimos irmãos e leigos da Família Pavoniana.

“Não sou profeta nem filho de profeta! Sou vaqueiro e cultivo sicômoros. Foi o Senhor que me tirou de detrás do rebanho e me ordenou: Vai profetizar contra Israel, o meu povo” (Amós 7, 14-15).

reeleito_lgSempre me impressionou esta “confissão” do profeta Amós, que ouvimos na liturgia de hoje. A nossa experiência de religiosos espelha a sua experiência. Não nos encontramos em situações de privilégios especiais. Partilhamos a condição da maior parte das pessoas. 
O Senhor nos tomou, nos chamou, nos confiou uma missão dentro do seu povo: uma missão “profética”. Na nossa vocação religiosa não testemunhamos nós mesmos, mas testemunhamos o Senhor. Fazemos isso como todos os batizados, mas com uma responsabilidade maior, ligada ao chamado especial do Senhor. É um chamado que não nos afasta dos outros irmãos, mas nos coloca entre eles como sinais visíveis da presença e do amor de Deus: para com seu povo, para com a juventude, “aquela porção da humanidade que é mais querida ao amorosíssimo coração de Jesus”, como nos recorda nosso Padre Fundador.
Nosso empenho prioritário é ser autênticos “profetas” do Senhor: ou seja, testemunhar o Senhor com a nossa vida e com as nossas escolhas, em espírito de humildade e de simplicidade, como também exige de nós o beato Ludovico Pavoni. Esta é a nossa missão no mundo em que vivemos, com os graves problemas que está atravessando hoje. Esta é a nossa missão na Igreja, com as fragilidades que explodiram no seu interior e com os desafios que é chamada a enfrentar, contando sempre com a força do Espírito. Esta é a nossa missão na comunidade na qual nos encontramos, com seus aspectos de força e de fraqueza, caminhando à luz do nosso carisma.

Estar em formação permanente

É este o sentido mais profundo da formação permanente: continuar a ser e tornar-nos cada vez melhores de testemunhas do Senhor, na nossa vida; apaixonados por ele, por seu chamado e apaixonados pelo serviço aos irmãos e aos jovens.
Neste mês, haverá em Ponte di Legno um curso de formação permanente para os irmãos da Congregação (9 a 23). Trata-se de um momento privilegiado e oportuno, que pretende incentivar um itinerário cotidiano de adesão ao projeto de Deus; um momento extraordinário, com a finalidade de reavivar, no tempo ordinário, o testemunho de fé e de doação da vida a Deus e ao próximo.
Há anos que estamos sendo sensibilizados nesta direção, mas talvez esta perspectiva ainda não passou a fazer parte plenamente da nossa mentalidade e da nossa vivência. Custa-nos tirar um tempo para dedicar à nossa formação continuada e para participar de algum curso específico, sobretudo com os outros irmãos da Congregação. São ocasiões preciosas e praticamente indispensáveis para manter a vitalidade espiritual e apostólica, na vida de cada dia. Permanecem sempre de grande atualidade para todos nós as palavras do Padre Fundador, que apresentam as Constituições: “O amor da virtude e o desejo da perfeição devem tornar perene em cada um, entrando nesta sociedade, o voluntário sacrifício oferecido totalmente a Deus de si mesmo e empenhá-lo a cumpri-lo ou aperfeiçoá-lo avançando na idade” (CP 311). 
Estas palavras manifestam muito bem o que significa em profundidade “estar em formação permanente”.

O tempo favorável de uma experiência forte de espiritualidade

Neste mês ou no próximo, para todos estão agendados os retiros espirituais. Cada ano, são uma experiência forte de espiritualidade, uma imersão na lógica do sinal das bodas de Caná, que favorece o nosso caminho de formação permanente. Para que os retiros atinjam tal objetivo, devem ser vividos de modo intenso, na escuta de Deus, na oração e na revisão da própria vida, para um decidido empenho de corresponder com maior disponibilidade à ação de Deus.
Além disso, esta experiência insere-se em um tempo de pausa dos compromissos anuais normais, representado para muitos pelo verão ou, para outros, por um período semelhante de suspensão ou de diminuição das atividades habituais. 
Este tempo de “distensão” seja enriquecido por experiências significativas (de espiritualidade, de fraternidade e de apostolado) e a oração, pessoal e comunitária, não seja sacrificada, pelo contrário, seja mais cuidada, havendo maior tempo à disposição.
“A palavra de Cristo habite entre vós com abundância. Com toda sabedoria, instruí-vos  aconselhai-vos uns aos outros. Movidos pela graça, cantai a Deus em vossos corações, com salmos, hinos e cânticos espirituais” (Col 3, 16).
Com este convite do apóstolo Paulo, desejo que todos sejam autênticos “profetas” entre o povo de Deus. Saúdo a todos em nome do Senhor.

pe. Lorenzo Agosti
Tradate, 01 de julho de 2010.


P.S. Iniciativas de julho:
•    Na Itália: depois do curso de formação permanente, serão realizados, sempre em Ponte di Legno, o retiro espiritual (23 a 28) e, logo após, a peregrinação à Terra Santa (29 a 5 de agosto).
•    No Brasil, em Igarapé, será realizado o retiro espiritual de 26 al 30 e, depois, nos dias 31 e 1° de agosto, será realizada a assembléia anual da Família pavoniana.
•    Organizada pela Província espanhola, está programa uma experiência espiritual para jovens, em Taizé, de 23 a 2 de agosto.

 

Espanha Itália Itália
Pavonianos

Pavonianos