O Diferencial Pavoniano [Ir. Cesar Thiago,fmi] PDF Imprimir E-mail

Nosso irmão, César Thiago, reflete  para nós, fazendo uma atualização do ser pavoniano em nosso tempo, com um artigo (iremos lançar em várias partes) no qual aborda a dinâmica pavoniana com base na caminhada cristã e a forma como o carisma pavoniano se insere na sociedade atual.



1.    INTRODUÇÃO

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Ser pavoniano é ser diferente. É uma forma de vivenciar a vocação cristã na Igreja.  É vocação dada por Deus e respondida na gratuidade do coração.


Somos pavonianos e temos Jesus Cristo como o centro de nossa vida. Nele encontramos a nossa razão de ser. Seguimos a este Jesus na Igreja. Neste sentido somos pessoas eclesiais. Anunciamos e portamos o seu amor a toda sociedade, a fim de que a mesma seja cristificada.

Destarte, buscamos apresentar neste pequeno artigo, de forma breve, o nosso jeito de ser. O diferencial pavoniano. Muitos outros aspectos poderiam ter sido contemplados, mas por uma questão de escolhas e metodologia não o foram. Contudo, pensamos que os elementos aqui apontados são pertinentes para uma boa reflexão.


2.    BASE COMUM DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ

Estamos vivendo um tempo em que a busca pelo sagrado se torna cada vez mais patente. As pessoas têm sede de Deus; tem sede do mistério. Durante toda a história da humanidade percebemos a necessidade que o ser humano tem da transcendência. Até mesmo na contemporaneidade quando muitos cientistas das mais diversas áreas do conhecimento se declaram ateus, os mesmos reconhecem que de fato há uma transcendência, que não necessariamente se chama Deus. Para fazer um exemplo, atualmente os filósofos franceses que se declaram crentes são rebaixados a intelectuais de segunda categoria. Entretanto, frente a essa necessidade de transcendência, que é intrínseca a condição humana, os filósofos ateus, como Luc Ferry, cunharam o termo Transcendência na Imanência, evidenciando a cabal importância e existência dessa dimensão.

Para nós que professamos que Jesus é verdadeiramente o Cristo, e por isso somos chamados de cristãos, temos o Filho de Deus como fonte de nossa espiritualidade. A nossa mística é Teológica-Cristológica haja vista que a mística cristã, no seu sentido mais simples, consiste essencialmente em ter Jesus diante dos olhos e, nele, Deus mesmo (cf. Jo 14,9) . A espiritualidade cristã é a espiritualidade do amor (cf. Jo 13, 34). Ela nos convida a ir ao encontro do Senhor e Dele fazer experiência. O episódio de Jesus com a samaritana no poço de Jacó denota esse aspecto do encontro como experiência. A samaritana fez a experiência de Jesus. Esteve com Ele e a Ele entregou o seu coração. Jesus por sua vez revela-lhe quem Ele é (Cf. Jo 4, 1-30). É só no encontro pessoal com o Senhor que podemos entender existencialmente o mistério da revelação e mais do que isso, conhecê -Lo. Assim afirmamos que a espiritualidade cristã é a espiritualidade do encontro e da experiência . Experimenta-se Alguém e não algo. Experimenta-se o próprio Deus.


A espiritualidade cristã parte de uma experiência de Deus e se prolonga nas experiências de relações humanas. Ela nos convida, ou ainda, nos convoca a nos comprometer com os nossos irmãos, sobretudo os que mais sofrem. É fazer como Jesus fez. Ele que acolheu a prostituta (cf. Jo 8,2-11), perdoou o ladrão arrependido (cf. Lc 23,42-43) e chamou para ser discípulo seu um cobrador de impostos (cf. Mt 9, 9).


É nesse bojo que está a espiritualidade da Vida Religiosa Consagrada.  Se insere na lógica da espiritualidade cristã. Por conseguinte a nossa espiritualidade pavoniana está contextualizada na espiritualidade cristã.

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Nós pavonianos buscamos, com o coração do Beato Ludovico Pavoni, vivenciar o amor de Deus e traduzi-lo no nosso cotidiano.

"Como religiosos pavonianos, Deus nos chama a renunciar às esperanças do mundo e a conformar nossa vida à de Jesus Cristo o quanto possível, casto, pobre e obediente até a cruz; assim consagrados, envia-nos para sermos sinais e portadores do seu amor para os jovens, especialmente os mais pobres, aos quais dedicamos nossa vida, segundo o projeto do fundador ". (Regra de Vida, 11).

O que especifica a nossa espiritualidade no contexto da espiritualidade cristã é o fazer a experiência de Deus a partir do rosto da criança, do jovem e do surdo, e, concomitantemente de sermos a eles portadores do amor desse Deus, sobretudo aos mais pobres, como afirma a Regra de Vida acima citada, buscando viver como Jesus viveu, a partir da radicalização do nosso batismo, pois “seguindo a Cristo na Vida Religiosa, temos a certeza de vivenciar os dons e os compromissos da consagração batismal na sua plenitude e isso constitui para nós, o caminho da santidade”  (Regra de Vida, 12), sendo pessoas “inflamadas do amor de Deus”  confiantes no seu amor providente.

Ir. César Thiago do Carmo Alves, fmi
 

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