Queridos irmãos, religiosos e leigos da Família Pavoniana,

Com a chegada do mês de junho, em alguns dos lugares onde a Congregação está presente, encerraram-se o ano letivo e muitas atividades pastorais, como a catequese e diversos encontros de formação e espiritualidade em nossas paróquias.

Em muitos desses locais, realizam-se colônias de férias, acampamentos, atividades recreativas paroquiais e outras iniciativas semelhantes. São momentos de convivência, encontro e enriquecimento mútuo, que reúnem crianças, adolescentes e jovens. Acompanhados por educadores pavonianos religiosos e leigos, e por jovens animadores, eles vivem dias intensos de formação, lazer, partilha e fraternidade, ajudando-se mutuamente no crescimento pessoal e comunitário.

Essas experiências fortalecem o sentido de pertença, o espírito de solidariedade e a consciência de fazer parte de um povo peregrino que busca a paz e a fraternidade. Embora sejam vivências intensas e, por vezes, cansativas, valem a pena, pois promovem o crescimento humano, fraterno e solidário. Além disso, podem proporcionar profundas experiências de fé e encontros pessoais com o Senhor, que dão sentido à vida e ajudam a olhar para o futuro com esperança.

Também os noviços, que vivem os últimos meses de sua formação e se preparam para a primeira profissão religiosa, participarão dessas experiências. Estou convencido de que elas os ajudarão a viver nossa missão de forma concreta e prática. Sou profundamente grato pela acolhida e disponibilidade dos religiosos e leigos das comunidades que recebem esses jovens. Peço a todos que rezem por eles, para que essa experiência desperte e fortaleça neles a paixão educativa que caracteriza o coração pavoniano.

Nesses lugares continuam em pleno funcionamento todas as atividades educativo-assistenciais: casas/lares, centros de acompanhamento e recuperação de jovens em situação de dependência, entre outras. Trata-se de um período com horários um pouco menos rígidos, mas igualmente repleto de atividades.

Em outros países, como o Brasil, as atividades seguem normalmente. A todos eles acompanhamos com nossa proximidade, estima e oração.

Durante este mês de julho, alguns irmãos participarão dos encontros de formação permanente em diferentes lugares onde a Congregação está presente. No dia 23 de julho, todos nos reuniremos em Brescia para aprofundar o conhecimento sobre nosso santo Fundador e sua intuição carismática, além de visitar os lugares pavonianos da cidade.

Também iremos a Saiano, levando conosco a realidade da Família Pavoniana: nossas expectativas, esperanças e projetos, bem como nossas dificuldades, fracassos e medos. Colocaremos tudo nas mãos e no coração de nosso Pai Fundador, para que ele abençoe nosso caminho e nos ajude a crescer em fraternidade e generosidade.

Nesses mesmos dias, acontecerá também, em Brescia, o encontro dos formadores. O salesiano Carlo Maria Zanotti conduzirá o primeiro dia de reflexão, aprofundando o tema "A formação em um contexto de interculturalidade". No segundo dia, estudaremos a revisão do documento "Configurar-se a Cristo: A Formação Pavoniana" (Ratio Fundamentalis Institutionis et Studiorum), preparada pelo Pe. Gildo e pelo Pe. Giorgio. Também serão apresentados e analisados os Regulamentos de Formação das diversas Províncias, apresentados pelos respectivos Provinciais.

O método que temos utilizado nos encontros de formação permanente em nível congregacional tem como objetivo ajudar-nos a conhecer melhor a realidade global da nossa Família, sensibilizar-nos para suas diferentes expressões, acompanhar todas as pessoas e comunidades e fortalecer nossa disponibilidade para colaborar no projeto comum, onde quer que seja necessário.

O princípio continua sendo o mesmo:

"Aquilo que é conhecido é amado; e aquilo que é amado é cuidado."

Isso me oferece a oportunidade de refletir com todos vocês, religiosos e leigos, sobre a importância da formação permanente em nossa Família.

Sabemos que a formação dura toda a vida. Nossa Regra de Vida, no número 235, recorda:

"A qualidade da nossa vida religiosa e a eficácia do apostolado dependem, em grande parte, de um compromisso constante de renovação, até tornar-se um verdadeiro processo de formação permanente."

No número 236, acrescenta:

"Cada um de nós deve assumir pessoalmente esse compromisso; os Superiores proporcionarão aos religiosos os meios e o tempo necessários para esse fim."

O Documento Capitular, no número 21, também nos recorda:

"Continuemos a acompanhar a formação dos leigos juntamente com a dos religiosos, para que cresça cada vez mais o sentido de pertença à Família Pavoniana e a corresponsabilidade na missão. Todos somos uma Família Carismática em caminho e em missão."

Temos urgente necessidade de cultivar uma cultura de formação permanente

"Também nós queremos crescer na cultura da formação, entendida como um caminho integral, que não seja apenas teórico ou intelectual, mas profundamente experiencial. Ela abrange todas as dimensões da pessoa humana e, por isso, é essencial para continuarmos crescendo como religiosos cada vez mais convictos. Assim, juntamente com a partilha da espiritualidade, o crescimento pessoal é acompanhado pela experiência da vida fraterna e da missão compartilhada. Cada comunidade torna-se, portanto, um espaço de formação, e cada irmão contribui para o crescimento e a formação do outro." (DC 18)

Para a vida religiosa e para nossa Família, a formação permanente não é uma opção: é um imperativo.

Vivemos em um mundo marcado por profundas e constantes transformações. Por isso, todos somos chamados a permanecer em contínuo processo de formação diante de desafios como:

  • a mudança de paradigma na sociedade, na Igreja e na vida religiosa;
  • o fenômeno da interculturalidade;
  • a revolução digital;
  • os processos de reestruturação e reconversão;
  • o secularismo e o individualismo;
  • o surgimento de novas correntes espirituais;
  • a necessidade de crescer na experiência de Deus para enfrentar as provações da vida, retornando ao "primeiro amor" com maior profundidade e autenticidade e integrando a fé à vida cotidiana;
  • a necessidade de construir uma vida cada vez mais fraterna, passando da simples vida em comunidade para uma verdadeira comunidade de vida;
  • a necessidade de sermos criativos na missão, oferecendo respostas novas aos desafios enfrentados pelos jovens de hoje.

Tudo isso e muito mais configura um cenário novo e complexo. Precisamos de uma formação contínua que nos ajude a interpretar os sinais dos tempos e a realizar um verdadeiro discernimento.

Sem esse desejo permanente de formação, a vocação corre o risco de estagnar; a fidelidade pode transformar-se em mera rotina; e o carisma perde sua vitalidade, criatividade e capacidade de inspirar.

Não nos deixemos aprisionar pelos inimigos da formação permanente:

  • Não reconhecer sua necessidade nem suas oportunidades. Isso provoca um empobrecimento pessoal e comunitário em todos os níveis: espiritual, fraterno e carismático. Nossa vida torna-se sem sabor e deixa de ser um testemunho capaz de interpelar os outros. Devemos permanecer sempre atentos às surpresas de Deus e abertos às contribuições de nossos irmãos.
  • A falta de tempo e a dificuldade de deixar as responsabilidades assumidas. Precisamos fortalecer a colaboração e a sinergia, para que ninguém se considere indispensável, embora todos sejamos necessários.
  • Instalar-se na comodidade e na mediocridade. Quando hábitos confortáveis dominam nossa vida e nosso modo de pensar, perdemos a vigilância, deixamos de voltar ao essencial e de verificar a fidelidade ao núcleo da nossa vocação. Uma vida assim não gera esperança nem nova vida; torna-se estéril.

Agenda do mês

  • 1º a 23 de julho: Formação permanente dos irmãos adultos nas diversas realidades pavonianas.
  • 23 a 30 de julho: Formação permanente de todos os irmãos reunidos em Brescia.
  • 30 e 31 de julho: Conselho Geral ampliado, em Brescia.
  • 31 de julho: Reunião da Direção Geral, em Brescia.

Confio o caminho da nossa Família, religiosos e leigos pavonianos à proteção da Virgem do Carmo, cuja festa celebraremos no dia 16 deste mês, e também à intercessão do nosso santo Fundador, São Ludovico Pavoni.

Recebam todos um fraterno e sempre agradecido abraço.

Pe. Ricardo Pinilla Collantes,

Tradate, 01 de julho de 2026

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